quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Meu celular toca - Será ele dizendo que não vem mais?
Já são 8:00. A hora que ele disse que viria.
Atendo o telefone. Mas não ouvi o que temia.
Ao invés diso, avisou que só poderia chegar aqui uma hora e meia mais tarde. Consenti.
Tinha que passar o tempo até as 9:30. Fui ler algo - o livro que ele me emprestou.
Perdi o contexto da história. Tirei os óculos para apertar bem os olhos. Acabei cochilando.
Tive um sonho rápido, em que alguém me empurrava de um lugar alto. Acordei assutada.
Voltei a ler. Já teria se passado muito tempo desde então? Gostaria de saber as horas, mas não havia nenhum relógio por perto. Tento me concentrar, mas acabo voltando a dormir. Então, sinto algo bom. Seria outro sonho?
Não, eu estava sendo acordada com beijos na face. Ele chegou.
Fomos conversar. Me diz que tem que ir às 11:00, pois vai acordar cedo para viajar. Algo estava diferente. Nosso diálogo iniciou-se com um ar de tristeza, que logo se dissipou. Talvez porque queríamos falar em algo diferente. Talvez porque não fosse tão mau como pensávamos. A realidade é que era, sim, um momento triste. O começo da parte difícil. E dificuldades nunca são bem-vindas.
Ele começa a me falar coisas bonitas, como se para compensar a falta que me faria. Eu apenas ouço.
Há uma sensação nova dentro de mim. Não aquela angústia de sempre. Não. Senti uma paz. Uma paz sem esperanças nem conforto mas, ainda assim, uma paz.
Acho que foi isso o estranho que senti. Todos nós geralmente pensamos que paz é sinônimo de alegria, o que não é. Vejo-a como só um estado de espírito que ocorre sem ver a situação. E a minha situção não era das mais alegres.

A noite estava diferente. Não triste, como eu imaginava que estaria. Talvez refletindo meu inesperado estado de espírito. Não era a "lua dos apaixonados", mas também não era a dos abandonados. 
Não tinha palavras para definir o céu naquele momento. Nada de alegre, nada de triste. Mas agora a palavra me ocorreu, e é sereno. Tão sério e tão tranquilo, ao mesmo tempo, que me deixava com um espanto cético.


Temos ambos os mesmos pensamentos no momento em que olhamos para o relógio - "Está ficando tarde".
Ele me abraça forte. Quando me dou por percebido, meus olhos enchem-se de lágrimas que logo disparam. 
Ficamos um momento em silêncio, e eu peço-lhe que volte logo. Ele diz que me ama e me dá um beijo na testa.
E se vai.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Não me chame de senhora

Marta estava dormindo. Em seu sonho tinha os cabelos brancos, o rosto cheio de rugas e falava insanidades enquanto sua enfermeira tentava insistentemente fazer-lhe tomar 3 remédios coloridos que estavam em um copinho de plástico.
Acordou gritando. Então pulou da cama e foi na direção do espelho. Ficou se olhando durante uns vinte minutos, em uma análise profunda e minuciosa de seu corpo para ver se achava algo de parecido com a idosa do sonho. A não ser por seus olhos úmidos e pela expressão de desespero em sua face, nada estava diferente. Ainda.
Foi tomar um banho quente para se relaxava. Não adiantou. Olhou para o calendário e viu o que tanto temia: era seu aniversário. Naquele dia, 5 de outubro, completava seus exatos 50 anos. Sentiu as pernas pesarem como chumbo ao imaginar todas as mensagens que receberia dos colegas de trabalho e de todas as brincadeiras que os amigos fariam. Certamente eles pretendiam fazer uma festa. Ela, não. Não conseguia enxergar o que havia de bom em comemorar aquele fato trágico.
Cansou de ficar em casa e resolveu fazer algo que certamente a relaxaria: compras.
Morava no centro da cidade, e todas as lojas eram perto. Foi à pé.
Enquanto caminhava, sentiu-se tranquila. Afinal, isso não estava tão estampado em sua cara. Pensou que talvez ficar em casa estivesse deixando-a preocupada demais à toa.
Entrou em uma loja. A atendente, muito simpática, deu bom dia e perguntou:
- O que a senhora deseja?
"Senhora? Como assim? nunca haviam me chamado de senhora antes! será que eu estava errada e a idade já estava tão evidente assim?!" - pensou.
A atendente ficou olhando para Marta, sem saber o porquê de sua expressão de espanto e deu uma leve tossida, para ver se a 'senhora' parava de divagar e respondia.
- Oh, nada não, obrigada.
E saiu. Foi a outra loja. A mesma coisa acontecera. Resolveu, quase chorando, ir a uma última para ver o que acontecia. A moça que lá trabalhava a atendeu da mesma forma como as anteriores. Isso foi a gota d'água para Marta, e ela explodiu:
- Não me chame de senhora! Não sou casada, Não sou feia, nem sou velha! Vá para casa estudar gramática e reveja os pronomes de tratamento! Use sua juventude para alguma coisa útil, já que todo mundo lhe parece tão velho! ARGH!
E foi embora com raiva, batendo a porta.
As outras atendentes ficaram olhando para sua colega, que estava mais chocada do que elas. Ficaram todas assim durante algum tempo, quando, então, ela disse:
- Deve ser crise de meia-idade!.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Para um moço :)

Moço
Perdoa não saber dizer
O que sente meu coração

Antes
De pensar em me envolver
Sentia essa grande afeição

Mesmo
Pensando como amigo
Queria-te perto de mim

Quando
Estava lá comigo
Queria que ficasse assim

Olha
Como estou agora
Respirando esse amor

Diga
Por que já vais embora
Não vê que é tão ruim a dor?

Saiba
De tudo que eu sinto
Contigo tudo em mim mudou

Veja
Sobre isso eu não minto
Você meu coração roubou

Deixa
Teu sorriso aqui perto
De volta à vida ele me traz

Fica
Nosso futuro é tão certo
E essa que é a minha paz

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Éramos alguns
Então aumentamos
Viramos muitos
Alguns se foram
Mas vieram outros
Passamos para muitos mais
Então veio mais um
Para mim
Mais um
Porém de um jeito que seria somente um
Para mim
Então éramos vários
E estávamos felizes
Mas o tempo passou
E a tristeza resolver vir também
Então ficamos apenas dois
E num futuro breve
Serei apenas eu.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Terra linda, monumentos naturais admiráveis e de habitantes bastante animados, embora seja uma cidade relativamente pequena. Sempre um clima de verão, o que dá sempre um clima de festa. Essa é a nossa cidade


Terra desgraçada, paisagem é tudo  que resta, e ainda por cima muito mal-cuidada. Um monte de piriguete bêbada e de homem idiota em cima de um paredão, arranjando motivos estúpidos para beberem até irem para o hospital tomar glicose, o que é animado até demais, embora a cidade seja um cú. Calor dos infernos sempre, o que dá um motivo a mais para as "safadinhas" da cidade tirarem a roupa e exibirem a única coisa que têm e atrair as atenções para si, pois se mostrassem o cérebro, evacuariam o planeta.
Um lugar com um monte de pessoas burras, que não só aparentemente estão felizes ao viver ao lado da ignorância. Essa é a nossa cidade :)

domingo, 4 de outubro de 2009

Sinto falta de como as coisas eram
De como costumavam ser fáceis
De não pensar no futuro o tempo todo
De sorrir com o coração

Mas o que eu mais sinto falta
É de estar com quem eu gosto
E com quem me faz bem
E talvez é por isso que tudo agora me pareça tão horrível

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

CAMPANHA - CRIEM UM SLOGAN PARA O GOVERNO LULA JÁ!


...porque achei indescritivelmente ridículo quando ele disse "sim, nós podemos", na campanha para eleger o Rio de Janeiro para sede das olimpíadas.