Estamos em uma mesa redonda de um tom ouro velho que minha mãe comprara um mês atrás. Eu, com lápis e papel na mão; ele, a misturar as peças de dominó que ali estavam e a perguntar sobre o que escrevo, mas não lhe dou resposta. "Espero que não seja nada sobre mim", disse-me numa falsa seriedade. "Não, não é", menti com um sorriso de canto de boca, e ele fez que acreditou, ainda com um arzinho desconfiado nos olhos. Estendo a perna e a apoio em sua cadeira. Ele me olha como quem diz: "Folgada..", mas finjo que nem vi, continuando a rabiscar e sendo tomada por uma onda extasiante de paz que partia dele e vinha ao meu encontro - como se o calor das batidas de seu coração me envolvesse num abraço tão tenro quanto o castanho de seus olhos.
E tudo que eu quero nesse momento é dizer o quanto o amo, ou como adoraria que esse momento durasse meses, ou que seria a pessoa mais feliz do universo se ele sentisse comigo ao menos metade das coisas boas que sinto a seu lado, ou que me dói o peito saber que ele não saiba disso. Mas ele me chama: "Ainda vai jogar?", então esqueço os papéis, as declarações e as angústias, e, como pétala ao vento, simplesmente vou.
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